quarta-feira, 20 de setembro de 2017

JACOB SIMON, O PRIMEIRO SIMON A PISAR EM TERRAS PARAGUAIAS


              Seguindo os passos de Mathias Simon que deixou a Alemanha em busca de novas terras, também Jacob Simon, deixou o Brasil e embrenhou-se mata a dentro no interior do Paraguay, em 1969, tornando-se o primeiro Simon naquele país. São homens de fibra e de resistência que desafiando todos os riscos, deixaram para trás toda uma vida aqui no Brasil para fundar uma nova geração de Simon paraguaios.

Jacob, a esposa Romilda e os filhos

            A trajetória de Jacob Simon é deslumbrante. Filho de Felipe Simon, que por sua vez é filho de José Simon, que por sua vez, filho de Mathias Simon Júnior e finalmente filho de Mathias Simon,. Jacob Simon é trineto de Mathias Simon. Nascido em Carazinho, Jacob casa-se no dia 29 de novembro de 1964, com Romilda Antonelli em Tiradentes, então município de Três Passos. Dali, foi morar em Derrubadas sempre em busca de trabalho para sustentar a família. O destino os levou a São Miguel do Oeste  e ali nasceram os restantes filhos. Como os negócios não iam bem, resolveu tentar a vida no Paraguai, atraído por outros brasileiros. Visitou o Paraguay por duas vezes antes de levar a família e em 1969, decide-se, levando toda a mudança, inclusive os cachorros de caça que seriam vitais para enfrentar as onças, nos primeiros anos. O local escolhido foi uma localidade denominada Piquiry, uma região de selva, com tudo a ser explorado. Hoje Piquiriy fica às margens do Lago Itaipú e distante uns 50 kms de Ciudad del Este.

            Sua esposa Romilda conta que quando chegaram, foram morar num galpãozinho no meio do mato. Na primeira noite bateu o desespero, pois era um lugar inóspito e a vontade era de voltar no outro dia. Mas “no dia seguinte, todos os vizinhos acorreram e se ofereceram para ajudar a erguer uma casa, todos sorridentes e amigos. Daí, resolvemos ficar. Era um povo bom, humilde, constituído na maioria de brasileiros  e principalmente a terra era muito boa. Mas os problemas começaram a aparecer. Tudo o que se produzia não era comercializado. Não havia quem comprasse os produtos.  Dai, as coisas foram mudando.  Um padre vinha uma vez por mês e aos poucos Piquiry constituiu-se em paróquia e Jacob viu que o negócio era colocar um moinho de arroz, para descascar o produto e revendê-lo. Foi o primeiro moinho da região”.

Encontro dos Simon no Paraguay em 2005
 


         Porém Jacob não se abatia. Logo que arranjou dinheiro, comprou terras onde se produzia hortelã, em grande quantidade e junto com a terra, havia um alambique para a produção de óleo de hortelã. Revela a esposa Romilda que com a hortelã ganhou-se muito dinheiro, pois “logo tivemos que colocar outro alambique. Trabalhava-se dia e noite sem parar, junto com os vizinhos e o dinheiro foi chegando. Em poucos anos comprou-se um trator e depois outro trator. Assim foi dando uma estrutura à granja, que logo com o advento da soja, tudo foi transformado em lavoura de soja e trigo.

            Jacob com a mulher e os filhos foram progredindo e comprando mais terras ao redor, formando um grande patrimônio que é conservado até os dias de hoje.

            Jacob era um homem de hábitos bem constituídos: todos os dias, ao levantar-se tomava chimarrão rodeado dos filhos e ali dividiam-se as tarefas do dia. Também era exímio tocador de gaita e violão e  animador  das festas e bailes da região. E o mato foi dando lugar à agricultura e hoje os  campos do Paraguay banhados pelo Lago Itaipú são um imenso tapete verde. Romilda conta que os primeiros anos foram muito difíceis. Graças aos cachorros, as onças deixaram de atacar em casa.

            O nosso pioneiro, no entanto, começou a ficar com a saúde abalada. Devido ao trabalho esfalfante, aos poucos a saúde de Jacob começou a deteriorar-se e a pressão alta o levou a um primeiro derrame cerebral. Foi atendido imediatamente e conduzido a Curitiba, onde restabeleceu-se. Dai em diante  foram muitos os problemas  e outros AVCs o levaram à morte, depois de alguns anos em tratamento. Morreu com apenas 53 anos.

            Homem de caráter e destemido, ousou arregaçar as mangas e desafiar as matas do Paraguay, implantando raízes profundas mas que hoje se espalham por diversas regiões do país. Seus filhos hoje casados formam uma grande família.

           Josemir Simon, o filho mais velho, continua a atividade do pai, cultivando a terra-mãe tanto no Paraguay como no Brasil. Os demais filhos também se dedicam à agricultura com fazendas naquele país. Coube a seu filho Josemir, liderar o primeiro encontro dos Simon no Paraguay, no dia 5 de agosto de 2005, na cidade de Hernandárias, reunindo mais de 120 pessoas. Jacob - o primeiro dos Simon no Paraguay - hoje é reverenciado pelos seus e por toda a grande família Simon.

 

 

sábado, 16 de setembro de 2017

PAULINO SIMON, O TROPEIRO DA REGIÃO DE TAPERA

           Um dos grandes Simon do século XX, na região de Tapera, foi sem dúvida, Paulino Simon. Filho de José Simon e Catarina Stefens. Tropeiro, motorista, açougueiro e hoteleiro foram algumas de suas profissões durante a vida. Porém, deixemos que uma de suas filhas, Catarina Simon, descreva este pai herói. Em 2006, foram festejados seus 100 anos de nascimento:


Casamento de Paulino e Olinda


                     "Era um pai muito severo com os filhos, imprimia um ar de muito bravo e exigia muita responsabilidade. Era um grande batalhador, esperto, inquieto e aventureiro, mas ao mesmo tempo era um perfeito cavalheiro, alegre, divertido e carinhoso à sua maneira. Muito jovem ainda sentiu as dificuldades que a vida começou a lhe mostrar. Quando perdeu seu pai, com 9 anos, em São Sebastião do Caí, deixou sua mãe, a vovó Catarina para continuar a luta de criar seus irmãos. Acabaram vindo morar em Tapera onde implantaram o primeiro serviço hospitalar, hoje, Hospital Nossa Senhora do Rosário, no qual o papai também trabalhou, assim como os outros irmãos. Daria uma história só do hospital, tamanha foi a dificuldade que os serviços naquela época eram prestados. Uma das características que mais o identificava, era sua facilidade de fazer amigos, não importando a cor ou situação econômica e social. Os menos favorecidos eram os protegidos, que até hoje lembram com carinho e saudade a forma bondosa e fraterna como eram tratados.

Paulino Simon (sentado) quando criança
              Entre as profissões que exerceu ao longo da vida destacava-se o de tropeiro e sabia como ninguém como manusear o relho, e com ele chegava tirar o cigarro da boca de um companheiro exposto à distância. Igualmente como motorista, proprietário de um caminhão, viajava pelas estradas trazendo mercadorias para o comércio e indústria da cidade e região. Paulino foi o primeiro açougueiro de Tapera, com estruturas próprias para o abatedouro de gado. A carne era vendida no açougue no centro da cidade (na maior parte fiado ou de graça, auxiliado por seus filhos e peões). As tropas de gado eram compradas em Selbach, Lagoa dos Três Cantos e vilas próximas de Tapera. De Soledade, cidade distante 90 Km de Tapera, exigia dos tropeiros quatro dias de viagem, conduzindo a tropa para o abatedouro em Tapera. E por fim foi hoteleiro, e administrador do único hotel da época (1951) em Tapera, o Hotel dos Viajantes, o qual recebia viajantes de toda a região e outros estados.


                 Na Comunidade Taperense, Paulino sempre se distinguiu. Era um homem muito disponível e solicitado. Foi presidente do Grêmio Esportivo América, time de futebol de fama regional. Quando jovem foi um dos melhores ponteiros direito. Hoje sua foto faz parte da Galeria dos Presidentes da Agremiação. Era político militante, defendia as cores da UDN, por ele foi candidato a vereador, indicado por Tapera, então distrito de Carazinho. A Paróquia Nossa Senhora do Rosário sempre realizou e até hoje realiza a festa de sua padroeira e João Paulino contribuía muito nestas festas como responsável pelo churrasco, isto por muitos anos e não só na sede, mas nas capelas vizinhas também. Era dele esta árdua tarefa, de abater o gado, cortar, preparar a carne para a multidão de devotos da padroeira. Na cidade havia escola pública e colégio administrado pelas Irmãs do Sagrado Coração de Jesus. Para garantir a frequência de seus filhos, trocava as mensalidades por carne. O colégio oferecia além do curso primário, pintura, bordado, datilografia, piano e preparação para Primeira Eucaristia e Crisma. Os filhos mais velhos foram para o seminário, mas não chegaram a concluir estudos religiosos, pois optaram por outras profissões liberais. Participava em tudo e com muita representatividade, principalmente nos bailes onde conheceu a garota Olinda, com quem se casou e teve 15 filhos. Era conhecido pelas moças da época como um dos melhores dançarinos, e por isso era disputado. Até hoje as senhoras Rosinha Erpen e Zeferina Boff contam como torciam para que sua lindinha não fosse aos bailes para que elas pudessem dançar com o João Paulino. Também foi o primeiro a instalar luz elétrica na sua propriedade, uma hidrelétrica movida por roda d’água. E assim aconteciam as inovações na sua propriedade. Era muito criativo e naquela época os recursos técnicos e financeiros eram ausentes.
Homenagem da família no túmulo de Paulino em Tapera,
por ocasião de seus 100 anos de nascimento em 2006

                Sobretudo Paulino prezava a sua família. O namoro com Olinda, filha de Jacó Henrich e Madalena Staudt, moradores de Tapera, não era do agrado do vovô Jacó e para separá-los, levou-a para Novo Hamburgo. Morando com sua madrinha Catarina Schmidt, chegou a comprar uma máquina de costura e bordado para que ela ficasse longe de seu amor, que para vovô Jacó, era um rapaz namorador e muito paquerado pelas moças. Ele representava um perigo. Mas como se sabe, essa história de amor terminou de maneira muito bonita, porque para seu Paulino os desafios e dificuldades foram uma constante em sua breve e agitada vida. Perseguia com determinação e garra tudo que desejava. E foi assim, com seu caminhão, instrumento de seu trabalho, não hesitou ir até Novo Hamburgo e trazer seu amor de volta. Ao vê-la de volta, chegando em casa a noitinha com Paulino, vovô pediu para que vovó Madalena fosse para o quarto com as crianças, tia Julita e Valdomiro. Depois de muita conversa vovô Jacó chamou a vovó e disse: não tem mais nada a fazer, apronte o enxoval para o casamento. E em 29 de junho de 1929 casaram-se e seu primeiro filho, de 15 outros, nasceu no ano seguinte, no dia 25 de março de 1930.
    
               Essa linda história começou há mais de 100 anos atrás e hoje com muita alegria relembramos para mais uma vez confirmar que os lembrados estão vivos em nosso coração". (Catarina Simon)







 

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

JACOB SIMON PIONEIRO DA CINEMATOGRAFIA NO PLANALTO MÉDIO DO RGS

O pioneiro do cinema em todo o Planalto Médio do RGS foi Jacob Simon, na cidade de Carazinho. Jacob nasceu na Vila Forqueta, então distrito de Caxias do Sul. Com sua esposa Emilia Tschiedel tiveram 11 filhos. Era descendente de Nicolau Simon, terceiro filho de Mathias Simon, o imigrante alemão. Inicialmente Jacob foi carpinteiro em Porto Alegre. Depois trabalhou em Santo Ângelo com caminhão que transportava víveres. Posteriormente, em 1920, mudou-se para Carazinho, então distrito de Passo Fundo, montando sua carpintaria na própria casa. Ali também eram realizados bailes populares. Era famoso o casarão dos Simon que iria servir de ganha pão com o advento do cinema.
Emília T. Simon ao centro
O cinema em Carazinho iniciou em 1923, quando um paraguaio trouxe um aparelho de projeção (Pathe Frères) colocou-o sobre a mesa e projetou imagens (cinema ambulante) num lençol branco estendido na parede. Era um farwestão americano. O paraguaio aparecia a cada quatro meses, quando conseguia um novo filme que era projetado no salão dos “Simon” com a renda dividida. Jacob Simon entusiasmou-se com o cinematógrafo, alugando-o. Como não havia energia elétrica, usou a força do dínamo de seu calhambeque, suficiente para a projeção do filme mudo. Ajudado pelos seus filhos fabricou poltronas  que eram removidas do salão por ocasião dos bailes. Como o filme era mudo, Mercedes filha de Jacob acompanhava-o ao piano alugado. Segundo seu depoimento, o cinema foi sua escola de música, tocando de ouvido e improvisando. Nas cenas românticas  improvisava melodias com harpejos e trinados e nos de terror tocava acordes graves e agudos; nas cenas com cavalos tocava “Oh casta Suzana”. Mercedes adquiriu o hábito de tocar olhando o filme e acompanhando o ritmo com o corpo. A platéia entusiasmava-se e assobiava as melodias marcando ritmo com os pés. As sessões de cinema eram anunciadas por três toques fortes de uma estridente sirene, ouvida em toda a vila.

Raul Simon e esposa um dos administradores
Algum tempo depois veio o vitafone (1931) que tocava acoplado ao aparelho. A filha Juliana era encarregada de colocar as músicas adequadas. Já o lovitafone reproduzia ruídos e as falas das cenas. A estréia do cinema falado  foi com o filme “A noiva” da United Artists com a “platinum blonde” Jean Marlow, a grande estrela da época. Em 1933 terminaram os bailes permanecendo as sessões de cinema na rua Itararé até os fins de 1936.
Em 1935 Eduardo Graeff construiu um prédio de alvenaria  na Av. Flores da Cunha (rua principal de Carazinho) alugando-o para a viúva Emília Simon por 5 anos. Ali foi instalado o cinema “Recreio” com 500 lugares e uma nova aparelhagem, o “movietone”. Mais tarde foi comprado e transformado em apartamentos com o nome de Edifício Simon.
Em torno da Rua do “Comércio” surgiram outros concorrentes  do cinema Recreio, com a instalação do cinema Avenida. Os dois cinemas concorriam entre si. Em 1939 o cinema Avenida fechou e Emília Simon alugou-o por 10 anos  montando outro cinema Recreio. Em 1941 a empresa montou o cinema Gaúcho em Palmeira das Missões. Em 1944 foi construído o Cine Glória, no Bairro Glória. A empresa alugou cinemas em Soledade e Getúlio Vargas, por alguns anos.
Marco Aurélio Simon e sua irmã Marisa ao centro
no Encontro dos Simon em Carazinho
Em 1947 iniciou-se a construção do Cine Brasília que foi concluído em 1960. A empresa formou uma rede de locação de filmes para toda a região chegando a ter em estoques 63 filmes. Os cinemas sempre lotados davam sessões todas as noites e aos domingos tinha matinê com duas sessões. Passavam farwestes e os seriados Tarzan e Jane.
Em 1936, Jacob faleceu e a viúva Emilia com a família continuou com o cinema, dirigindo até 1966.  Ainda em vida recebeu o título de primeira empresária carazinhense e cidadã honorária. Ela foi substituída pelo filho Raul que por sua vez foi passada a administração para o filho Marco Aurélio Simon até seu falecimento.
A história do cinema no Planalto Médio se confunde com a história da família de Jacob Simon. Quase 100  anos se passaram e ainda hoje os carazinhenses lembram deste importante meio de lazer que durante décadas proporcionou bons filmes para o povo. Parabéns.



domingo, 10 de setembro de 2017

JOSÉ ALOYSIO SIMON, O PIONEIRO DOS SIMON NA ARGENTINA

 
 
 
 
O espírito aventureiro do pioneiro Mathias Simon, deixando sua velha Alemanha e se enfurnando nas matas gaúchas do Brasil em 1829 foi seguido de perto por um de seus descendentes quase 100 anos depois, pelo neto José Aloysio Simon (1888-1936) filho de Nicolau Simon, o terceiro filho de Mathias.

José e Amália


Bom Princípio (RS). 1920. José Aloysio Simon com sua mulher Amália Schmitz, já com três filhos Benno Edvino, Maria Salomé e Pedro Albano, viviam sonhando com novas perspectivas de vida. Além de ser alfaiate e agricultor, José Aloysio estava inquieto vendo o futuro de seus filhos. Neste tempo, correu o boato que novas colônias estavam sendo organizadas em Misiones (Argentina) e que uma empresa colonizadora estava recrutando colonos de origem alemã para iniciar uma nova colonização.
-Pronto - disse José Aloysio - É nesta que nós vamos!
José Aloysio foi um dos primeiros a se inscrever na Colonizadora. Tomadas as primeiras providências, vendeu todos os bens e ficou sonhando com as novas terras. Cem anos depois José Aloysio repete o sonho de Mathias, aventurando-se por novas terras e meio à mata argentina.
Casa de José Aloysio nos dias  de hoje




Nos primeiros dias de abril de 1920, parte a família Simon da Estação Ferroviária de São Leopoldo com todos os pertences em caixotes, mas levando na alma a esperança de realizar o grande sonho: possuir terras boas, agricultáveis e um futuro promissor para os filhos e netos. O trem passa por Porto Alegre e vai até Uruguaiana. Ali é feito o transbordo para trens argentinos, que vão até Posadas, capital de Misiones. Dali em diante era o desconhecido. Não havia estrada de rodagem e o único meio de locomoção era o barco pelo Rio Paraná. E a 8 de abril de 1920, José Aloysio Simon com sua família desembarca na Colônia San Lamberto, hoje Puerto Rico, uma colônia fundada seis meses antes por Carlos Culmey e o Pe. Max Lassberg.

Podemos imaginar o espanto de José Aloysio e sua família ao desembarcar em Puerto Rico. Abandonados à própria sorte, sem ajuda do governo, apenas da colonizadora, passaram os primeiros dias em um barracão, juntamente com outros colonos. Confiando apenas no Senhor e na pontaria das espingardas e pescando no Rio Paraná, estes pioneiros enfrentaram os primeiros meses com muitas agruras. Começam a ser abertas as primeiras picadas e são construídas as primeiras casas de madeira. José Aloysio com suas economias compra dois lotes de terras totalizando 62 hectares e ali começa sua vida na nova pátria, vencendo o mato com o machado e o serrote, começa a plantar para o sustento da família ao mesmo tempo que a pesca era o grande meio de alimentação.



A família de José e a casa

Em 1931 com a família já constituída no total são oito filhos. Além dos três filhos que nasceram no Brasil, vieram outros cinco: Prisca, Érica, José Inácio, Luiz e Mário. O pai José Aloysio funda com seus amigos e vizinhos um coral masculino que enfeitava as festas de igreja e outras celebrações como os primeiros casamentos. Infelizmente, 16 anos depois de sua chegada, José Aloysio vem a falecer em 1936, de uma doença ignorada, na época. Tinha apenas 48 anos. A viúva Amália segue explorando a propriedade já com a ajuda dos filhos mais velhos. Hoje a descendência de José Aloysio é numerosa e seus netos e bisnetos se espalham por toda a região de Misiones, principalmente em Puerto Rico. Em 1982 foi feito o primeiro Encontro dos Simon na Argentina com mais de 200 presentes. Foi um dia maravilhoso para todos. Em 2010, outro encontro festejou os 90 anos dos Simon na Argentina. Hoje seus descendentes povoam a região de Puerto Rico (Misiones), a cidade com mais parentes naquele país.

Primeiro encontro dos Simon em 1982

A coragem, a valentia, o espírito aventureiro de José Aloysio vai permanecer pelos séculos afora. Seu nome será lembrado com orgulho pelas próximas gerações pois foi um homem destemido, digno de ser imitado que faz parte da galeria dos grandes Simon de nossa história.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

ZENO SIMON, UM ECOLOGISTA POR EXCELÊNCIA


 

Foram apenas 42 anos de vida, mas Zeno Simon a viveu em plenitude, deixando rastros profundos na comunidade portoalegrense, nacional e internacional.
 Nascido em Porto Alegre em 15 de abril de 1954, filho de André Simon e Zita, era bisneto de Mathias Simon. Casado com Ligia Würth, deixou dois filhos, Guilherme e Flora. O câncer o prostrou a 9 de outubro de 1996 em Porto Alegre.

Mas quem foi este cometa que deixou um facho de luz e de vida, até hoje iluminando os céus e as mentes de cada habitante de Porto Alegre? A resposta vamos encontrá-la em sua lápide mortuária, no Cemitério São José de Porto Alegre.: "Zeno Simon, grande ecologista, amigo, companheiro, paizão. Valeu".
Foi um homem do seu tempo, participante, ativo, incansável, compositor, pai exemplar e ardoroso ecologista.
Zeno estudou na UFRGS engenharia química, física e engenharia nuclear. Igualmente encontrava tempo para estudar violino, no Instituto de Letras da UFRGS. Foi fotógrafo amador. Estudou controle ambiental na Inglaterra e Estados Unidos. Em Porto Alegre era membro ativo de três associações ecológicas: AGAPAN, Coolmeia e ABES. Trabalhou na CORSAN e ele foi o grande responsável pela despoluição dos resíduos do Pólo Petroquímico gaúcho.

Outro ecologista Carlos Gustavo Tornquist deu um testemunho sobre Zeno, no Jornal Agir Azul: "Zeno era do tipo do cara que se recusava a nadar am águas rasas justamente por haver menos volume a explorar. Tinha verdadeiro horror por explicações simplistas para fenômenos complexos como em geral são os processos ecológicos. Não tinha paciência nenhuma e condescendência com os ditos especialistas, os gurus da undécima hora sempre prontos a oferecerem serviços para solução certa, grossa e definitiva para este ou aquele problema, contrariando o bom senso e a história. Zeno não se cansava de lembrar, que via de regra, tais esquemas davam com os burros n’água ou ao menos se tornavam quase soluções, criando problemas ainda piores. Poderia alongar indefinidamente, mas creio que nesta hora destas só me resta citar Bertol Brecht, quando este disse que entre os vários tipos de pessoas, há aqueles que são imprescindíveis. Assim foi e para nós da AGAPAN, ainda é Zeno Simon".
Em Porto Alegre, em 2 de dezembro de 2001 inaugurou-se a Praça Zeno Simon, uma área verde de 30 mil m² à beira do Lago Guaíba, que contém quadras esportivas, pistas para bicicletas e churrasqueiras cobertas.
No Estado do Rio Grande do Sul, existem três grandes regiões para onde as águas das chuvas escoam: a Região Hidrográfica da Bacia do Rio Uruguai, a Região Hidrográfica do Guaíba e a Região Hidrográfica das Bacias Litorâneas. Neste local, as águas do Estado do Rio Grande do Sul nascem praticamente juntas e seguem caminhos diferentes. O Marco Gaúcho das Águas, instalado na divisa dos municípios da lavras do Sul e São Gabriel, sinaliza a união do Rio Grande do Sul, através de suas águas e foi ideia de Zeno Simon.
"A necessidade de preservar os recursos naturais para garantir a manutenção da vida, inclusive da espécie humana, sempre esteve presente entre os gaúchos. Nesse sentido, é necessário ressaltar um nome: Zeno Simon. Engenheiro da CORSAN - Companhia Riograndense de Saneamento, Simon destacou-se como técnico especialista em meio ambiente. Dedicou sua vida profissional e pessoal à promoção do envolvimento do cidadão e da sociedade no processo de preservação e conservação dos recursos naturais, sobretudo a água, para que as futuras gerações tivessem a possibilidade de desfrutar a vida. A ele se deve uma grande parte do que é hoje o Sistema de Gestão dos Recursos Hídricos do Estado do Rio Grande do Sul. O Marco Gaúcho das Águas é uma forma de homenageá-lo".
 
Zeno era participante ativo das reuniões dos Simon em Porto Alegre. A sua luz que murchou momentaneamente está a brilhar em cada ação ecológica que é realizada neste planeta. Valeu Zeno!



domingo, 3 de setembro de 2017

LAURA SIMON FEIT A MÃE DO ANO EM 1971


 

Você pode chegar a Alto Feliz, uma cidadezinha perdida no interior gaúcho, ao lado da cidade de Feliz, e perguntar pela professora Laura Veit. Todos logo dirão: Ah a professora Laura mora logo ali, ela foi professora do meu pai, da minha mãe, minha professora e do meu filho...Estas eram as respostas do moradores antes do ano de 2002.

Laura Simon Feit, a Mãe do ano em 1971
 
Em 1934, o Brasil tinha um ditador chamado Getúlio Vargas. Mas na Alta Feliz uma mulher corajosa começou sua vida profissional, deixando até hoje profundas raízes. A jovem Laura iniciou sua carreira como professora municipal, passando logo para o magistério estadual como regente da Escola Isolada da Alta Feliz. Em 1939 já era diretora do Grupo Escolar hoje Escola Estadual de Primeiro Grau Assunção.
O que havia de especial nesta jovem mulher? Coragem nunca lhe faltou. Laura ao mesmo tempo era diretora, regente de várias turmas, dona de casa, e mãe, uma supermãe. Sim uma super-mãe.

Ao casar com Arsênio Erno Veit jamais pensou que logo após o casamento iria acumular a função de mãe de três famílias, a família de seu marido, a família de sua mãe e pai e a sua própria família. Explico: na semana anterior ao seu casamento com Arsênio Erno Veit, o pai de Arsênio morrera e logo depois a mãe. Aí Laura ganhou a primeira família sendo responsável pelos irmãos do marido Arsênio. No mesmo ano, morreu a mãe de Laura deixando nove filhos na orfandade, dos quais cinco menores. Aí Laura ficou responsável pela educação dos cunhados e dos próprios irmãos. Ao mesmo tempo foram nascendo seus filhos, num total de nove. Taí a super-mãe de três famílias. Somente uma Simon para aguentar tamanho repuxo.


Laura homenageada pela comunidade
Laura além dos afazeres da imensa casa, com tantos filhos, foi uma mestra exemplar educando gerações e gerações de crianças.

Somente em 1968 veio a aposentadoria. Mas Laura não se aquietou Os trabalhos comunitários aumentaram. Na Escola, se faltasse um professor, Laura era chamada, para como voluntária substituir a colega. Igualmente foi professora de música. Ai Laura repartiu-se em várias, ora na Igreja como catequista, ora no Colégio como professora, e por muitos anos foi Secretária do Círculo de Pais e Mestres. Foi colaboradora do Mobral, subindo e descendo morros atrás de analfabetos e acima de tudo uma mãe devotada, a ponto de 1971, ser escolhida Mãe do Ano do RGS. Foi sócia fundadora do Clube de Mães e em 1994, foi a Mãe do Ano do Clube de Mães. Parabéns Laura, uma autêntica Simon que merece recordação, carinho, respeito e veneração. Parabéns aos filhos que tiveram o privilégio de terem uma mãe nota dez. Faleceu em 2 de maio de 2002. Sua liderança ficará para sempre na memório da comunidade de Alo Feliz

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

SIMON, OS PRIMEIROS BALSEIROS DO RIO URUGUAI


Nos idos de 1920 a 30, Itá (SC) começou a receber os primeiros imigrantes que enfrentaram as feras e domaram a selva virgem, nas barrancas do Rio Uruguai. Eram tempos difíceis, porém a força e o arrojo do ser humano eram mais fortes que a mãe-natureza, que por milhões de anos manteve-se intacta.
A balsa era formada por toras, e juntadas com cipós
 
 
Os Simon, que na época haviam se espalhado pelo Planalto Médio e Campos de Cima da Serra, também foram tentados a desbravar as matas do oeste catarinense. Um deles, João Simon, foi um dos pioneiros de Itá e o primeiro madeireiro exportador de toras e balseiro do Rio Uruguai.


A família de João Simon com atora serrada manualmente

A empresa colonizadora era a Companhia Luce que atraia colonos, prometendo mundos e fundos. Numa dessas levas, João Simon acompanhado dos filhos Leopoldo e Otto foram levados até a Estação Barros (hoje Gaurama) e dali até a localidade de Itá recém implantada nas barrancas do Rio Uruguai, em um pequeno ônibus, cujo teto era de lona. Após um dia de viagem por caminhos íngremes chegava-se até as margens do Rio Uruguai e dali de barco eram transportados para o lado catarinense. Lá chegando, João Simon e família adquiriram um lote de terra ( no mapa), nas barrancas do Rio Uruguai. Como foi escolhido no mapa não sabiam que as terras da colônia eram muito acidentadas, formadas por peraus e cerros, bem à margem do rio, abrigando uma selva virgem e quase impenetrável, exuberante, intocável até então.


As toras eram arrastadas por juntas de bois até o Rio Uruguai
João e os filhos porém não se intimidaram e não desesperaram. Com criatividade que sempre caracterizou os Simon viram logo que o lote de terra pouco servia para a agricultura e a única riqueza eram as árvores seculares. Veio, então a ideia de desmatar e vender as toras para os argentinos. Foi o começo das famosas balsas de toras que diariamente cruzavam as águas do Rio Uruguai, em direção ao mar.
O testemunho de Frederico Maraczanski, um dentista prático da época, foi importante para o resgate dos pioneiros balseiros do Rio Uruguai. Entre eles, João Simon e o filho Leopoldo o mais famoso de todos. De Itá a São Borja eram 950 kms de via fluvial. Pelo percurso havia 81 ilhas que deveriam ser desviadas pela balsa. João e seus filhos serravam as árvores com serrote manual e depois as toras eram puxadas com carroças de bois até as margens do Rio e ali eram amarradas com cipós. Cada balsa continha em torno de 80 a 120 toras. Esperava-se a cheia do Rio Uruguai para a partida da balsa. O vaqueano (capitão da balsa) tinha que estar atento para o desvio das 81 ilhas, pois o percurso era vencido de Itá a São Borja em quatro dias e quatro noites sem parar. Na balsa iam aproximadamente 20 peões que ajudavam o vaqueano na tarefa de pilotá-la. Praticamente o vaqueano não dormia nestes quatro dias e noites, pois tinha que ficar atento e conhecer todas as ilhas, com seus perigos. Quanto mais viagens, mais prática tinha o vaqueano. Conta Frederico que o filho Leopoldo fez 74 viagens, sendo 63 como vaqueano e 11 como peão. Leopoldo conhecia tão bem o Rio Uruguai que mesmo em período de mau tempo e cerração, ele conduzia com tranquilidade a balsa. Cada viagem era uma aventura, um risco, um desafio, que forjou um homem de ação cujos descendentes hoje povoam as terras catarinenses, um verdadeiro orgulho para as próximas gerações.
Início do desmatamento da vila Itá em 1920