terça-feira, 7 de novembro de 2017

PEDRO ALFONSO SIMON, O HERÓI DE DUAS FRONTEIRAS


                Um dos expoentes dos Simon na Argentina foi Pedro Alfonso Simon. Figura mítica, deixou um rastro de histórias fantásticas por onde andou. Sua memória ficará para sempre como um homem preocupado com sua família a ponto de arriscar sua vida pelos filhos. Pedro Alfonso nasceu em Cerro Largo (RS) no dia 7 de maio de 1926 e morreu em 1991, em San Ignácio (Misiones) Argentina, pescando no Rio Paraná. Morreu como pediu a Deus - dizem seus familiares. Teve treze filhos dos quais onze estão vivos, quase todos residentes na Argentina. Suas histórias percorreram o mundo da região das missões do lado brasileiro e argentino. Gostava de pescaria a ponto de construir sua casa à beira do Rio Paraná. Extremamente amante da família, gostava da vida e assim resumia sua trajetória num misto de português, alemão e castelhano: “En mi vida no matê, no robê (e olhando para os lados para ver se alguma mulher estivesse ouvindo, arrematava) e no fuê puto. Porque yo soy Pedro Alfonso Simon”. Aqui vamos reproduzir uma de suas aventuras pelo Rio Uruguai, num contrabando de feijão, escrita pelo historiador Mário Simon, de Santo Ângelo, em maio de 1991:



Família vendo-se Pedro Alfonso, ao meio, sentado com a esposa

              “Corria o ano de 1963. Por este tempo, o Brasil e Argentina buscavam por um fim ao contrabando na fronteira. Na região de Missões, a repressão era feita à bala  de fuzis e metralhadoras. O Rio Uruguai, muitas vezes, se avermelhou de sangue de heróis desconhecidos que faziam do seu leito de águas límpidas ainda um meio de sobrevivência. É que os verdadeiros contrabandistas, os grandes empresários se ocultavam covardemente por trás dos chibeiros corajosos. Suas barcaças é que transladavam as mercadorias que iam enriquecer os empresários do outro lado. Passar o rio, ocultos na noite ou  mesmo no denso nevoeiro das manhãs de inverno era tarefa que rendia minguadas  rendas aos chibeiros valentes.

                Era verão naquele ano de 1963. Pedro Alfonso Simon, em duas canoas, levava 50 sacos de feijão argentino. O endereço era a costa brasileira. Partiu à tardinha. Tudo parecia tão calmo. No coração a angústia de não saber se tinha volta; no olhos, a busca de algum sinal da polícia brasileira. Otília, sua esposa via a enorme carga flutuar e alguma coisa apertava o peito. Mas a coragem e a necessidade de prover o sustento dos filhos era mais forte do que o medo.


Pedro Alfonso, ao meio
                  Pedro Alfonso não podia divisar, no outro lado, por entre as árvores ribeirinhas, o barco policial e a polícia sedenta de sangue. Já alcançava mais da metade do rio quando percebeu a emboscada. Era tarde demais. Com toda as forças  de sua poderosa coragem, deu meia volta às canoas e, desesperadamente, remava para a margem donde partira. Lá, Otília via o barco da polícia brasileira partindo velozmente na captura do esposo e da mercadoria.

                Quando Pedro Alfonso já ganhava o meio do rio e a polícia pressentia que perdia sua presa, os fuzis e metralhadoras começaram a falar mais alto. As balas furavam os sacos de feijão e Pedro Alfonso ouvia o sibilar da morte passando perto de sua cabeça. Sem outra alternativa, o corajoso Pedro Alfonso  jogou-se nas águas turbulentas do Uruguai  e foi  no fundo delas o abrigo da fuzilaria. As canoas ficaram à deriva. Então iniciou-se um terrível pesadelo para a mulher Otília. Ela via o marido que subia à tona buscando ar, no mesmo instante as metralhadoras furando a água ao seu redor. Pedro Alfonso sumia-se nas águas para, outra vez, emergir e outra vez a fuzilaria pipocar em volta de sua cabeça. Mas lá no fundo do rio estava Pedro Alfonso Simon e não outro qualquer. Os minutos embaixo d’água  eram cruciais. Enquanto o fortíssimo pulmão quase explodia, pela mente de Pedro Alfonso passava a lembrança dos filhos e da mulher e isso o enchia de coragem redobrada. Lá, no meio do rio, a polícia. Enquanto o fortíssimo pulmão quase explodia, pela mente de Pedro Alfonso passava a lembrança dos filhos e da mulher e isso o enchia de coragem redobrada. Lá, no meio do rio, a polícia brasileira apreendia a carga e rebocava as duas canoas até a costa argentina. Alguns soldados ainda atreveram-se a vasculhar as imediações à procura do contrabandista. Mas este e sua mulher já estavam em casa seguros de que ali a repressão brasileira não viria.

                Ficava, no entanto, um grande problema a resolver. A carga de feijão nas canoas amarradas ali na beira do rio serviria para identificar o dono junto à gendarmeria argentina. Foi então que a mulher Otília tomou uma decisão: iria afundar as canoas com os 50 sacos de feijão, fazendo desaparecer a prova do contrabando.

                Otília partiu em direção ao rio apesar dos protestos de Pedro Alfonso que não queria por em perigo a vida de sua mulher. Próxima à margem Otília espiou o rio. Viu as canoas amarradas, mas nenhum policial por perto. De qualquer maneira, esperou que a noite fechasse o mundo. No escuro, aproximou-se mais e escutou. Nenhum ruído além das ondas da água. Então Otília desceu até as canoas, perscrutou em volta e certa de que não havia ninguém soltou uma das canoas  deixando que vagasse para dentro do rio.  Ali subiu com pé de cada lado das bordas, balançou-a de cá para lá com fúria até que a água tomou conta do bojo e tudo foi ao fundo quase tragando-a junto. A nado alcançou a outra canoa e repetiu a manobra  com todas as forças  fazendo tudo sumir no escuro  das águas. Alcançou a margem a nado e fugiu dali barranca acima.

                   A noite já era total quando Otília chegou em casa. Pedro Alfonso e os filhos aguardavam ansiosos.

                  -Tudo bem, meu velho. Não existem mais canoas nem feijão!

                  E abraçou-se ao seu homem deixando que as lágrimas se misturassem a água das roupas molhadas. Os filhos em volta, mal entendiam o que estava acontecendo quando aquele homem enxugava os olhos com as costas da mão”.
                  Esta é uma homenagem póstuma ao grande amigo Pedro Alfonso do escritor Mário Simon

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

NICOLAU SIMON, DONO DA ÁREA DA CIDADE DE FELIZ


             O imigrante alemão, Mathias Simon e sua esposa Margarida Wurst fixaram residência, na hoje Capela do Rosário, no município de São José do Hortêncio. No primeiro semestre de 1829 receberam o lote de terras em meio a floresta virgem bem perto do Rio Cadeia. Dos 10 filhos, oito tiveram descendência, casando com pessoas de famílias de origem alemã e se fixando nos arredores da chamada Linha Alta e Baixa. O local de reuniões era a Capela do Rosário.


Descerramento da placa em homenagem a Nicolau Simon, na Praça de Feliz
                   Um deles, João Simon, o quinto filho do patriarca, casou com Maria Werlang e logo saiu da casa paterna. Escolheu para viver um pouco mais adiante de sua terra natal, na então Picada Feliz, hoje cidade de Feliz. De 1849 a 1869 nasceram onze filhos, todos em Feliz. Um deles, chamava-se Nicolau Simon nascido em 28 de maio de 1851. Casou em 5 de agosto de 1875 com Amália Pellenz e tiveram nove filhos, todos nascidos em Feliz. A pequena árvore genealógica começava a dar seus frutos. Os Simon eram fecundos e os filhos que Deus mandava eram aceitos, pois era mais uma mão de obra para a lavoura.


Prefeito de Feliz falando aos presentes no evento
                      O detalhe desta história é muito interessante: a propriedade que possuía Nicolau estendia-se desde as margens do Rio Cai, no centro de Feliz até além da atual estrada RS - 452, que corta o município e a atual cidade de Feliz. Portanto, hoje onde  se localiza a Prefeitura Municipal, a praça, o Clube e outras quadras, eram terras pertencentes a Nicolau Simon. Contam as línguas que tudo foi tomado indebitamente. Mas como diz a coordenadora da III SIMONFEST, a parente Dulce Simon Ruschel: “Mais uma vez se confirma o ditado: Deus escreve direito por linhas tortas”. Em 1988, por ocasião da III Simonfest, na cidade de Feliz, na mesma área da propriedade que pertencia a Nicolau no local da atual praça, o nome Simon foi perpetuado através de uma placa comemorativa ao evento, realizado a 10 de janeiro daquele ano, com a presença do governador do Estado, Pedro Simon.

                   Dessa forma fez-se justiça, homenageando Nicolau Simon e toda a sua descendência que hoje vive no município de Feliz, Alto Feliz, Vale Real, Novo Hamburgo e outras cidades vizinhas.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

MATHIAS SIMON, SOLDADO DE NAPOLEÃO BONAPARTE


                Um dos  grandes feitos do nosso ancestral alemão Mathias Simon foi servir as tropas de Napoleão Bonaparte, o imperador da França. O testemunho oral de uma senhora, em Santa Cruz do Sul, que conheceu Mathias e que foi transmitido para Pedro Emanuel Simon, nos idos de 1920 foi de que o velho Mathias cantava canções militares em francês e falava das guerras que ele participou em Portugal, Espanha, Áustria, Itália e por fim a invasão russa em 1812.           Nesta invasão, ao todo foram 600 mil soldados recrutados na França e Alemanha, dos quais 200 mil eram dos Estados alemães da Westphália, Hesse, Turíngia, Saxônia, Baden,Würtenberg e Baviera. Um destes soldados foi Mathias Simon.
 
   
Jornalista Camilo Simon em frente a um dos monumentos
 da batalha de Borodino em Moscou
 
              Não é fácil imaginar esta participação deste alemão nas guerras napoleônicas. A realidade foi muito dura como contam os historiadores. A invasão da Rússia por Napoleão foi um dos maiores erros estratégicos do imperador que foi vencido pela astúcia dos russos e pelo inverno. Os russos com uma estratégia de recuar sempre mais em direção a Moscou foram batidos na batalha de Smolenk. Dali até Moscou foi uma passagem triunfal chegando a Moscou em 1812, depois de vencer os russos em outra batalha a de Borodino. Napoleão alojou-se com suas tropas no Kremlin. Na noite de 12 para 13 de setembro de 1812, Napoleão foi acordado e viu Moscou em chamas. A solução encontrada pelos moscovitas para não renderem-se foi atear fogo na cidade, antes de fugirem para o interior do país. Para Napoleão, Moscou era a capital asiática deste grande império, a cidade sagrada do povo de Alexandre o czar russo e o centro religioso da religião ortodoxa.


Museu no local da Batalha de Borodino
                    Já sem víveres e sem poder negociar com o czar russo, Napoleão inicia a retirada para a França com o exército que restou. Na volta, sempre acossado pelos cossacos, a maioria do exército morreu de fome e frio, especialmente na passagem do Rio Berezina, onde a ponte foi queimada pelos russos, obrigando os soldados a atravessar ou de barco a ou a nado, com 18 graus negativos. Na oportunidade além dos 30 mil cavalos que morreram, milhares de soldados não resistiram nas águas geladas. Chegando na região da Letônia, Napoleão abandonou o exército que restou e de trenó voltou às pressas para Paris para reorganizar outro exército de 500 mil homens. Ao final restaram apenas oito mil soldados de um total de 600 mil. Entre os sobreviventes estava Mathias Simon, o valente.
Cama de campanha de Napoleão Bonaparte
              Depois de 178 anos, em 1990, foi com emoção que visitei o local onde desenrolou-se a sangrenta batalha de Borodino, perto de Moscou, onde morreram 100 mil russos e outros 100 mil soldados das tropas de Napoleão Uma verdadeira carnificina. Percorrendo os campos e vales de Borodino, recordei o nosso ancestral que ali viu a morte ao seu lado. Hoje, Borodino é sede de um grande parque onde está instalado um museu com armas da época e com a cama de campanha de Napoleão. Ao longo de todo o campo de batalha, inúmeras homenagens com bustos de heróis russos e com monumentos ressaltando a coragem e a astúcia dos soldados. Sem dúvida estas imagens tétricas ficaram gravadas na memória de Mathias Simon, por toda a vida.
Pintura descrevendo o rigoroso inverno russo

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

GLEISON SIMON SOMENSI, O PILOTO DE UM SUBSÔNICO


Você sabe o que é sonhar? Você sabe o que é sonhar alto? Você que já sonhou muito quando criança, vai acompanhar comigo a realização de um sonho de criança, que foi perseguido com afinco por um Simon: Gleison Antônio Simon Somensi, filho de Antonio Somensi e Dirce Maria Simon. Gleison é neto de Henrique Simon, bisneto de Jacob Simon, trineto de Mathias Simon Júnior e tetraneto de Mathias Simon, o imigrante alemão.                                                               

            Gleison nasceu em sete de novembro de 1977 em Seara (SC). Com 12 anos, a família transferiu-se para Itá e ali nasceu o sonho de Gleison em ser aviador. Todo o dia o menino olhava para os céus na busca de algum avião. Seu sonho era de um dia tornar-se piloto militar da Força Aérea Brasileira. Seu sonho era abastecido pelas leituras de revistas sobre aviões, principalmente aviões de combate. Era o despertar de um sonho que iria tornar-se realidade.
Major Gleison Simon Somensi pilotando um subsônico
 

Pois, em 1991, Gleison soube que um contingente da Força Aérea Brasileira, aviões e pessoal, se deslocaram para Chapecó para treinamento e demonstração e Gleison tanto insistiu para os pais que o levaram a conhecer, de perto, os aviões. Era o 1º/10º Grupo de Aviação da Força Aérea Brasileira, um esquadrão de caça com os melhores aviões de caça do Brasil. Gleison encantou-se com o que viu de perto e pela primeira vez pode tocar num avião e sentir que seu sonho poderia ser realizado. Ali Gleison conhece um oficial aviador, com o qual passou a se corresponder e avivar o fogo de sua vocação O oficial passou a dar todas as explicações e dicas para que seu sonho se concretizasse. Ele não poderia imaginar que 12 anos mais tarde, faria parte do mesmo esquadrão de caça o 1º/10º Grupo de Aviação da FAB, sediado em Santa Maria.

Jovem Gleison cantando em festa dos Simon em Itá em 1991
 
 
Naquela noite de 1991, Gleison não podia dormir e ficava se imaginando pilotar um avião de caça tal qual como vira naquela tarde. Daí em diante seus estudos se intensificaram ainda mais visando ao concurso de Admissão ao Curso de Formação de Oficiais Aviadores na Academia da Força Aérea, a única porta de ingresso na carreira de Oficial Aviador. Este concurso selecionava apenas 120 jovens, em nível nacional, em uma prova semelhante a um vestibular. Pois em setembro de 1994, enquanto ainda concluía o 3º ano do ensino médio, prestou o concurso, passando em primeira mão. Em janeiro de 1995 contando apenas 17 anos chegou a AFA (Academia da Força Aérea) localizada em Pirassununga (SP). Seu sonho dera o primeiro passo para a concretização.

A sua turma formou-se em dezembro 1998, após quatro anos de ensino e treinamento. Nesse dia, declarado Aspirante a Oficial Aviador, foi transferido para Natal onde realizou o Curso de Piloto de Caça em aeronave AT-26 Xavante, em jato de treinamento e conversão operacional para a primeira linha da aviação de caça. Ao final de 1999 com mais 21 companheiros seguiu para Fortaleza (CE) para o Curso de Formação de Líderes em Esquadrilha de Caça, por três anos.  No último ano, o curso foi realizado em Natal e dali, em 2003, Gleison seguiu para Santa Maria, ingressando no 1º/10º Grupo de Aviação. Seu sonho transformou-se em realidade concreta. O menino de outrora, torna-se hoje parte de um seleto grupo de brasileiros a operar aviões de caça, na defesa do território brasileiro. Em Santa Maria, Gleison operou em aviões A-1, também conhecidos como AMX, em missões de Caça e Reconhecimento Tático, por quatro anos. No dia 24 de junho de 2016), foi realizada no Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Pirassununga, cerimônia comemorativa ao 57° aniversário de criação do DTCEA-YS e também ocorreu a passagem de Comando do Destacamento, do Major Especialista em Controle de Tráfego Aéreo Bruno Pinto Barbosa ao Major Aviador Gleison Antônio Somensi.

 Gleison cantando na IV SIMONFEST
 em Pinhalzinho em 1992 
Os aviões AMX são tripulados por um piloto. Tem um comprimento de 13,23 metros e as asas com 8,87 metros. Vazio, ele pesa 6.730 quilos e carregado pode alcançar a 10.300 quilos chegando até a 13 mil quilos. Sua velocidade pode alcançar a quase 1.200 km h e pode voar até 13 mil metros de altura, com uma autonomia de voo de 3.300 mil metros. Possui armas como canhões, mísseis, bombas e foguetes. O AMX é um caça de regime alto subsônico. Foi projetado para executar missões principalmente de ataque ao solo. Seu desempenho é muito adequado para o voo à baixa altura (em que voa o mais próximo possível do solo para a detecção de radar). Explica Gleison que “o voo nestas condições exige muita disciplina para que se observem os parâmetros técnicos de operação do avião, já que o limite entre a operação segura e o risco de acidente é muito próximo. No entanto, acidentes normalmente acontecem por um somatório de fatores (humanos, materiais e ambientais) e aprendemos a eliminar um dos fatores antes que o acidente seja consumado”

              Gleison é casado com Andreza e possui três filhos. Sua família participou de encontros da Associação em Itá e em Pinhalzinho na IV SIMONFEST, onde Gleison se apresentou cantando para os parentes. Este Simon constitui um orgulho de toda a grande Família Simon.

 

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

MARIA SIMON ESCHER, A MAIOR AVENTUREIRA SIMON


Um dos grandes feitos dos Simon, no século passado, digno de registro  e que demonstra a fibra das mulheres Simon foi Maria Simon, casada com Pedro Fridolino Escher. Maria nasceu na Linha Caraguatá, então município de São Luiz Gonzaga, hoje Cerro Largo, no dia 22 de setembro de 1922. Em 1939, transferiu-se para Alecrim. Tinha então 17 anos. Ali com seus pais e doze irmãos, dedicavam-se ao fumo como principal produto, na roça. E com os seus 21anos, casa-se  com Pedro Fridolino Escher, um moço esbelto de Santo Cristo.
A simpática dona Maria
 
            A vida era na roça, no interior de Alecrim, junto aos peraus do Rio Uruguai. Era uma vida muito difícil. Mas Maria seguiu os passos de sua família paterna, constituindo uma grande família tendo 11 filhos, em vinte anos de casamento.
            No pensamento de Pedro e Maria um sonho começou a projetar-se: a transferência da família para o Paraná. Nas décadas de 1960 e 1970, a leva de gaúchos ao Paraná e Mato Grosso foi muito grande. Mas a família tinha poucas posses. Então veio a decisão: iriam de carroça, de Alecrim até Medianeira, no Paraná, logo após a fronteira com Santa Catarina.
Dona Maria em sua casa recebendo parentes
 
            Feitos os preparativos e depois da venda da terra, a família com 11 filhos inicia a longa viagem de um mês, atravessando todo o noroeste do Rio Grande do Sul, por Santa Rosa, Tucunduva, Horizontina, Três Passos, passando de balsa o Rio Uruguai e seguindo o trajeto rumo ao Paraná, atravessando, de sul a norte, toda Santa Catarina. Conta Maria, que as crianças viajavam na carroça e os maiores e os pais caminhavam a pé. Levavam ainda uma vaca, uma junta de bois, um cavalo, ferramentas, pertences da família, um fogão e comida suficiente para o longo trajeto. Durante a espinhosa viagem acontece o inesperado: a vaca deu cria e a caravana estacionou por um dia. No outro, o terneirinho viajou na carroça e a mãe atrás do filhote.
            O Paraná, naquela época, era a terra da promissão e à espera de mão de obra para a derrubada de mato virgem. Pedro e Maria com os filhos se estabeleceram na Linha Boa Vista, no município de hoje Serranópolis. Na época pertencia a Medianeira.
 
 
Dona Maria no Encontro dos Simon em Foz do Iguaçu
 
            A família adquiriu terras produtivas. Os primeiros anos foram de grandes dificuldades, pois o sustento da família vinha da derrubada da mata virgem cujas toras eram vendidas na serraria local de Lúcio Coito. Plantava-se mandioca e milho e ali a família permaneceu até os dias de hoje.
            Em 1962, foi organizada uma festa na comunidade de Boa Vista para arrecadação de recursos para construir a igreja. Dois anos depois houve a inauguração com outra grande festa. O primeiro boteco na vila surgiu em 1961, seguido de escola, farmácia, mercearia. A vida corria tranquila e a população reunia-se aos domingos para jogar bocha, futebol e participava dos bailes. Em 1978, a localidade possuía 250 famílias. Dali em diante entrou em declínio a ponto de, passados 30 anos, em 2005 apenas restava a igreja, o salão de baile, o campo de futebol e o cemitério. Os colonos, na sua maioria foram para as cidades próximas.
 
Um dos bordados na parede da cozinha de Dona Maria
             Porém Maria, em 2005, com mais de 80 anos, ainda residia com uma de suas filhas, no mesmo local. Maria tinha, então, 10 filhos, 31 netos e 17 bisnetos. A veneranda veio a falecer somente no ano de 2012.
            Este é um dos exemplos dos milhares de parentes que foram tentar nova vida no Paraná, Mato Grosso e outros Estados. Hoje os Simon estão em 17 estados da Federação.
            Desta forma, os Simon ajudaram na colonização do oeste paranaense e contribuíram com seu trabalho no desenvolvimento de um dos melhores Estados brasileiros.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

UMA FREIRA SIMON VESTIDA DE ANJO


Ir. Edgara no encontro dos Simon
 em Porto Alegre

                Se existe um anjo da guarda que tem sobrenome Simon esse anjo chama-se Ir. Edgara. Por isso se você ao adoecer e no silêncio da noite em uma cama de hospital sentir um farfalhar de asas e um calor humano perto do seu leito, fique frio e tenha certeza, este anjo é um anjo Simon. E quem disse que um ser humano não pode transformar-se em um anjo de verdade?

Ir. Edgara
              Em nossa família temos muitos heróis anônimos que devotaram suas vidas em favor de outros, sem nunca terem aparecido em capas de jornais e TVs. Porém, dificilmente iremos ultrapassar a tenacidade, o desprendimento, a abnegação de uma Ir. Edgara, uma guerreira na luta contra as doenças e uma fortaleza na doação ao próximo. Imaginem: foram 60 anos de dedicação diária aos mais necessitados, aos mais desamparados doentes em vários hospitais do Rio Grande do Sul. Uma vida inteira dedicada aos mais fracos e frágeis, e sempre com um sorriso no rosto, um olhar de esperança, uma palavra de conforto, ora ajeitando o travesseiro do doente, ora dando comida na boca, ora trocando fraldas. Mas quem é esta mulher forte, que merece um lugar de destaque no panteão dos Simon?

                Maria Margarida Simon (Ir. Edgara) este era seu nome de batismo, nasceu no dia 29 de janeiro de 1894, em São Benedito, município de Montenegro. Os pais Jacob Simon e Ana Maria Backes a educaram nos princípios cristãos. Maria Margarida era neta de Mathias Simon Júnior e bisneta do imigrante alemão Mathias Simon. Conta Ir. Edgara que conheceu pessoalmente o seu avô Mathias Simon Júnior. Com quatro anos foi visitar o avô na Capela do Rosário em São José do Hortêncio. "Era um velhinho muito alegre e com barba. À noite, o velhinho reunia os netos e contava histórias. E os netos brigavam para lavar os pés do avô, como era o costume na época. Ele morava numa casa grande de pedra, sendo que a casa era rodeada de flores. E o vovô Mathias sentava numa cadeira de balanço e contava histórias para todos os netos presentes".


Ir. Edgara com parentes Simon
            Cedo Maria Margarida despertou para a vocação religiosa. Aos 17 anos deixou a casa paterna e foi para a Santa Casa de Misericórdia em Porto Alegre, para trabalhar como enfermeira. Três anos depois, com 20 anos entrou para o Convento São José em São Leopoldo. Depois de receber os votos reiniciou sua atividade como enfermeira, por 60 anos em diversas cidades gaúchas como Santa Rosa, Santa Maria, Passo Fundo, Tupandi, Santa Cruz do Sul, Porto Alegre, Santa Maria e São Leopoldo. Foi a construtora de hospitais nas cidades de Tupandi, Santa Rosa e Passo Fundo. Depois de trabalhar por 60 anos em hospitais junto aos doentes, foi descansar no Orfanato da Piedade em Porto Alegre e posteriormente na Pia Instituição Chaves Barcelos, na mesma Capital. Em novembro de 1985, Deus a chama para gozar das delícias eternas com 89 anos, dos quais mais de 60 dedicados aos doentes.
                Que exemplo! Que abnegação!. Que renúncia! Os Simon têm uma santa no céu a interceder por nós. Santa Edgara, rogai por nós!

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

ADRIANA SIMON MISS ATLÂNTICO SUL EM 1986


              Não é de hoje que a beleza da mulher Simon se destaca em todas as cidades. Por exemplo, em todas as festas de família sempre foi uma dificuldade a escolha da rainha dos Simon. Em 1986 aconteceu algo inédito na história da família Simon. Uma Simon foi escolhida como Miss Atlântico Sul, o que seria hoje uma edição de Miss Rio Grande do Sul.
Adriana no desfile

             Adriana Simon, nascida em Sobradinho, tinha 22 anos. É filha de Orlando Simon e Zitha Vardanenga. Neta de João Paulino Simon, bisneta de José Simon, trineta de Mathias Simon Júnior e tetraneta de Mathias Simon­­, o imigrante alemão. Adriana vivia sua vida pacata em Porto Alegre e veraneava na Praia do Barco. Foi então que no verão de 1986 algo aconteceu em sua vida mudando-a radicalmente. Vejamos o que ela disse na época sobre sua escolha como Miss Atlântico Sul:
Adriana desfilando na rua em carro aberto

           “O meu título foi fruto não só da beleza, mas também da força de vontade e do elã de vencer  que caracteriza a família Simon. Normalmente nós veraneávamos na praia do Barco, onde temos uma casa, mas no verão  de 1986 eu veraneava na casa da família do meu namorado em Xangrilá. Numa tarde quando estava à beira-mar  vendo meu namorado surfar, fui abordada por um casal de diretores do Clube Xangrilá que me observavam e acharam que eu tinha condições de representar a praia de Xangrilá no Concurso Miss Atlântico Sul. Honrada por esse convite, aceitei. Embora os obstáculos surgidos e as divergências de opiniões, eu estava decidida a levantar este título para a família e por isso, com o apoio de meus pais, de minha irmã e de meu namorado fui à luta e cheguei ao grande dia, no dia 15 de fevereiro de 1986 que iniciou com um desfile em carro aberto, pelas ruas de Tramandaí, onde fui aclamada nas ruas como vencedora, pela população em geral, inclusive crianças que gritavam meu nome. Isto foi um  estímulo para mim. Éramos em número de 40 candidatas, com representações de Santa Catarina, Paraná e o nosso Rio Grande, todas meninas lindas e com grandes chances de vencer. Ao iniciar o desfile no Ginásio Elói Brás Sessin, centro de cultura e de lazer de Tramandaí, totalmente lotado com torcidas organizadas  das praias concorrentes, o nervosismo tomou conta das candidatas, mas o calor da torcida nos tornava mais confiantes. Para mim o desfile de passarela foi fácil pois tinha experiência como manequim em Pelotas. Eu fui a primeira a ser chamada entre as vinte finalistas, o que me deixou mais aliviada. Mas na hora da escolha final  quando as duas princesas foram chamadas e o apresentador começou a fazer suspense sobre o nome da candidata vencedora a miss, meu coração disparava, pois além de mim havia muitas meninas com reais chances de serem vencedoras. Mas para minha alegria e depois de muito suspense ele gritou: Adriana  Simon, da Praia de Xangrilá é a Miss  Atlântico Sul 1986! Levei um susto e logo me recuperei para receber a faixa e as glórias de um ginásio inteiro que vibrava com a nova Miss. Este instante de emoção e alegria indescritível ficará impresso em mim durante toda minha vida. Alegria não menor foi também na entrega das chaves do chevette luxo, zero quilômetro, entregue pelo diretor da Osauto/Chevrolet de Osório. Assim, além do trabalho, do caráter, da inteligência, a família Simon traz também a beleza e a graça de seus filhos e filhas”
Adriana na Zero Hora em 1986


              Este é o relato de Adriana que não contou o sofrimento e o choro dos pais e do casal que a convidou, pois num ginásio de esportes quando tudo vinha abaixo, com torcidas organizadas, com faixas e cartazes, apenas quatro a cinco pessoas torciam pela Adriana, que de um dia para outro foi guindada a Miss Atlântico Sul um título que ficará na história dos Simon. Parabéns!